São raros os que merecem o que ganham, outros merecem o que constantemente perdem. Não se julga, só se opina com o valor que esse mesmo acto tem, zero. Não se condena, afinal de contas o amanhã é incerto. Mesmo que vezes a fio tenha previsto de forma exacta, eu não adivinho. Mesmo que tal aconteça uma vez mais, no próximo raiar estarei cá para ti. Não estou certo desta minha profecia, nem tão pouco confiante que voltaremos a ser [...]
As qualidades são escritas a lápis e os defeitos a caneta. Pouco importa o que se escreve, importa com o que se escreve. Quando a mente prefere ser corrector a borracha, não há mão que dite o contrário, não há pensamento que suplante essa vontade, não há quem contrarie a ordem das coisas.
Cruzam-se mas já não param. Não são mais encontros desencontrados são desencontrados em encontros. São a mentira que há na verdade quando outrora eram a verdade de uma mentira. São a diferença na indiferença que num breve olhar subsiste. São a arrogância e o orgulho em forma de gente, são a prova viva que nada é certo e já nada um ao outro eles são.
Dei a volta ao mundo em 64 longos dias. Passei por lugares outrora incógnitos. Descobri os glaciares da amargura, os trópicos quentes da saudade e até os desertos do pensamento. Fui viajante sem rumo, sem mapa e sem destino durante horas a fio. Vivi em dois hemisférios no mesmo periodo de tempo sempre com a certeza que um dia a minha viagem terminaria. Sou o que sempre fui, melhor e mais consciente.
Sou um ser estranho que um verde liquido sangra e chora, prospero num mundo que não é o meu, espero por um regresso a uma casa cujo nome desconheço e ainda bem que assim o é. Ando por ai cosmopolita, sonhador, sem limites e sem horas marcadas no sonho onde me encontro.