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O Azulejo em Portugal

O Azulejo é uma das expressões mais fortes da Cultura em Portugal e uma das contribuições mais originais do génio dos portugueses para a Cultura Universal. Ultrapassou largamente a mera função utilitária ou o seu destino de Arte Ornamental e atingiu o estatuto transcendente de Arte, enquanto intervenção poética na criação das arquitecturas e das cidades. – Paulo Henriques

As palavras de Paulo Henriques, Director Museu Nacional do Azulejo, resumem a tamanha importância que o Azulejo tem no nosso país. Em qualquer cidade portuguesa podemos encontrar algum ornamento que contenha este pedaço de cerâmica que é tão típico. Seja numa temática histórica, num estilo clássico ou contemporâneo.

A utilização deste material enquanto arte data do séc XV / XVI. Desde então, tem sido usado como elemento decorativo e “contador de histórias” em Igrejas, Palácios, Mosteiros ou mesmo em fachadas de edifícios, oferecendo a capacidade de qualificar esteticamente um edifício de uma forma prática e eficaz.


Fachada da Igreja do Carmo, no Porto. Fotografia por Ana Rodrigues

Com as suas qualidades cenográficas, descritivas e monumentais, o Azulejo é considerado um dos produtos mais originais da cultura portuguesa, que revela não só a história mas também a mentalidade e a estética de cada época. O site Lisbon Lux oferece-nos o Guia da Arte do Azulejo em Lisboa onde podemos encontrar vários exemplos desta arte espalhada pela capital.


Painel de azulejos em Lisboa por Carlos Botelho

Este material tornou-se intemporal e a facilidade de manuseio e criatividade sobre si proporciona a vários artistas trabalhar com azulejo de formas totalmente diferentes. Os dois casos que se seguem são exemplo disso.

Catarina e Rita Almada Negreiros, netas do pintor e poeta José Almada Negreiros, são arquitectas e a azulejaria é uma parte importante nos seus trabalhos. Juntas criaram o “azulejo cinético”, uma procura desenvolvida em parceria com a fábrica Viúva Lamego e que resultou na criação de um azulejo com as dimensões 14×14, medida do azulejo tradicional português, e que foi também a dimensão usada no terminal fluvial do Terreiro do Paço.
São autoras do painel do átrio da estação fluvial Sul e Sueste do Terreiro do Paço, em Lisboa, composto por 21 mil azulejos. Foram três meses para a colocação de todos esses azulejos de 20 tons diferentes. “Este trabalho é muito à base da reflexão da luz, aqui cada um tem a sua leitura. No fundo é darmos um momento de reflexão, aproveitando as características do próprio azulejo – um material que reflecte.”

Diogo Machado (aka add fuel to the fire) é um artista urbano português que se inspira no quotidiano, na vida e no ambiente urbano. A cultura urbana e a vida em sociedade sempre tiveram uma forte influência no seu trabalho. Devido às suas origens, esteve sempre em contacto e familiarizado com os padrões produzidos pelos murais de azulejos e, por isso, uma das vertentes do seu trabalho é o Azulejo. A complexidade visual da maior parte das suas criações exige um segundo olhar, mais aprofundado e à procura de significado, visto que pelo meio da dinâmica das suas peças, existem pequenos e inesperados detalhes. É na rua que faz aplicações de painéis de azulejos para dar cor e vida à nossa vida quotidiana. Já o fez em Lisboa, Covilhã e até Londres.


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