Publicado por Luís Carvalho em Cinema e vídeo
Bem, por esta altura já toda a gente sabe que dois filmes portugueses foram premiados no Festival de Cinema de Berlim. Mas a verdade é que, até ao anúncio destas vitórias, poucas pessoas sabiam que havia filmes portugueses em competição no festival. Afinal faz-se cinema de qualidade em Portugal, mas só os estrangeiros parecem querer saber disso.
Tabu, de Miguel Gomes, ganhou o Prémio Alfred Bauer, que distinguiu o carácter inovador do filme, bem como o prémio FIPRESCI (Federação Internacional da Imprensa Cinematográfica), atribuído à margem do festival por um júri formado por membros da crítica. O filme, que foi apresentado na passada terça-feira em Berlim e aplaudido por mais de mil jornalistas, deverá estrear em Portugal em Abril. Tabu, a preto e branco e seguindo o modo de flashback, segue em duas partes a história de Aurora, primeiro em Lisboa, já idosa, e na segunda parte em África, na sua juventude.

Rafa, de João Salaviza, ganhou o Urso de Ouro do Festival de Cinema de Berlim, na categoria de curtas-metragens. O júri distinguiu ainda a representação do jovem Rodrigo Perdigão, “no papel de um jovem a caminho de se tornar adulto”. A curta portuguesa é sobre um miúdo de 13 anos preocupado com a mãe, detida numa esquadra da polícia por conduzir sem carta.

Ontem, ao Público, João Salaviza disse que não percebe “como é possível que os filmes portugueses sejam tão bem recebidos e acolhidos, que encham salas por todo o mundo, como em Berlim, onde o filme do Miguel foi visto por 1500 pessoas”, sem que em Portugal haja o mesmo interesse. O realizador disse ainda que, para ele, “é inaceitável que não passe já hoje na televisão, nos três canais, o filme do Miguel Gomes”.
É de estranhar que por cá não se dê valor ao que se faz no cinema, sendo que qualquer filme que não tenha gente nua e/ou tiros nos trailers não chama a atenção do público nacional e muito menos dos responsáveis dos canais de televisão. Da minha parte, deixo aqui os mais sinceros parabéns aos dois realizadores e a todos os responsáveis por estas duas obras, que tenho o orgulho de dizer que são portuguesas. Se os virem por aí façam o mesmo!

João Salaviza

Miguel Gomes