Publicado por Luís Carvalho em Artigos e crónicas / Entrevistas / Música
Em 2009, Kathryn Bigelow tornou-se a primeira mulher a vencer o Oscar de melhor realizador/a por “The Hurt Locker”, mas não é isso que nos interessa. O que nos interessa é que, em 1991, Kathryn Bigelow tinha realizado “Ruptura Explosiva”, com Patrick Swayze e Keanu Reeves. E é este filme que, vinte anos depois, é o ponto de partida para o disco “20 Anos de Ruptura Explosiva“. A ideia foi de Tiago Lacrau, ele que nasceu Cavaco e já foi Guillul (“Guillul’s dead”, nas palavras do mesmo).
Depois de rever o filme, Tiago teve a ideia de fazer esta mixtape, colaborando não só com músicos/amigos da Flor Caveira e Amor-Fúria, editoras responsáveis pelo lançamento conjunto do disco, mas também com outros que, em alguns casos, ainda nem conheciam o filme. Os últimos foram obviamente obrigados a vê-lo antes de poderem fazer parte da mixtape. “20 Anos de Ruptura Explosiva” é uma ideia original, daquelas que fazem falta hoje em dia na música portuguesa. Por um lado, é uma viagem ao início da década de 90. Por outro, é um disco de verão, com sabor a mar e a surf e, acima de tudo, com muito sabor a rock ‘n’ roll.
Falámos com Tiago Lacrau sobre este projecto.
A primeira questão que vem logo à cabeça é: porquê o “Ruptura Explosiva”?
Por que não o “Ruptura Explosiva”?
Bem visto. Como é que do filme chegaste à ideia e da ideia chegaram à mixtape?
Revi o filme há uns meses e, andando numa de mixtapes, pensei que era uma inspiração possível.
Para além de marcar o 20º aniversário do filme qual é o objectivo do disco?
Não há propriamente um objectivo para o disco embora o facto deste ser o ano das duas décadas passadas ajudar. Mais do que a nostalgia, moda para a qual já contribuí de alguma maneira no V, interessa ganhar boas inspirações para discos. A facilidade em fazer pequenas edições e juntar amigos em canções parece-me irresistível.
Foi fácil juntar todos estes músicos no projecto? Pessoalmente, conseguiste quem querias?
Foi fácil juntar todos estes artistas porque todos eles são generosos. Falharam-me uns poucos por dificuldade de agenda e só um, que me lembre, não respondeu. Todos os outros se prontificaram e trabalharam para os apertados prazos (tinha de ser em Julho ainda).

Está aqui gente mais nova, como o Cão da Morte e o Coelho Radioactivo, as Pega Monstro, entre outros. Eles partilham o entusiasmo dos mais velhos pelo filme?
O pessoal mais novo de facto não tinha uma relação pessoal com o filme mas não deixou que isso os impedisse de se juntarem aos mais velhos. Viram o filme (porque essa era uma condição) e rapidamente alinharam as suas canções. Fantástico!
Ficaram todos contentes com o resultado? Podemos esperar mais colaborações deste tipo no futuro?
Eu fiquei muito contente com o resultado. Se Deus permitir, outras aventuras destas acontecerão. Já se começa a pensar em dar continuação ao espírito desta mixtape.
Quem achas que conseguiu captar melhor a essência do filme e, já agora, do verão, da praia, do surf e dessas coisas assim?
Ui, pergunta complicada. A coisa boa em ter gente diversa a trabalhar a partir da mesma inspiração é a possibilidade de não se ficar pelo óbvio. Há o surf-rock mais tradicional na canção dos Lacraus, por exemplo, e também chillwave no Filipe da Graça e C de Croché e em Branches e outros feelings aquáticos em praticamente todas as canções. Mas ninguém se sentiu constrangido a um tipo de som em particular, o que aumenta a possibilidade de surpresas. A malha do Úria, por exemplo, acho do outro mundo.
Para quem estiver interessado, onde se pode arranjar a versão de download e a versão física da mixtape?
É visitar o prontosesinceros.tumblr.com e mandarem-me um mail para tiagooliveiracavaco@gmail.com. Embora seja lento a responder os discos chegarão ao destino pela módica quantia de 2 euros e meio. Enquanto isso, saquem-no do blogue mencionado.
Para terminar, Bodhi ou Utah? Qual deles é mais a tua praia? (nota: ver filme para perceber a pergunta)
Bodhi, definitivamente. Apesar de odiar o tipo de discurso pagão surfista de união entre o homem e o Oceano. O Swayze é e será sempre uma inspiração.

Capa por Silas Ferreira