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Entrevista com Madkutz

Madkutz é um produtor respeitado no mundo do Hip-Hop português. Trabalha com artistas conhecidos como Pacman, Lancelot ou NGA e continua a inovar a cada produção. Madkutz torna-se assim no primeiro convidado da Artsomewhere neste nosso novo espaço. Atenção: Este post é uma recuperação de um prévio da antiga versão do blog e não uma nova entrevista. Leia ou releia a entrevista completa aqui no artswr.

O que é que defines como Arte?
Pergunta difícil! Vou ter de usar o meu lado espiritual-lamecha! Arte para mim, é uma forma de expressar o que nós somos, seja numa tela, numa letra, num instrumental, numa animação, dança, representação, no que for! Pelo menos é isso que procuro absorver quando estou perante qualquer forma de arte, tentar conhecer/perceber a alma da pessoa/criador. É um dos vários filhos que metemos no mundo!

Alguma vez deste por ti a admirar algo trivial e que considerasses uma expressão da arte em si?
Já! E é um dos meus dilemas na música, porque ainda não consegui entender como é que, músicas que criei num curto espaço de tempo (10 ou 15 minutos) foram as que tiveram mais feedback por parte do publico e quando perco horas a encher um instrumental com inúmeros instrumentos e pormenores, por vezes, esses temas acabam por passar ao lado de muita gente. Até mesmo em quadros ou num simples graffiti na rua, por mais simples/básico/trivial que seja, por vezes, acaba por marcar mais do que algo complexo e gigantesco.

No Hip-Hop existe um tipo de beat chamado de “Banger”, são aqueles temas mais agressivos, então eu tenho uma regra para os criar: Se depois de estar a produzir durante 15 minutos não tiver algo poderoso e viciante, não acabo a música! Porque todos os que fiz até hoje, foram criados num processo extremamente rápido, talvez por estar destinado a ser assim ou por estar inspirado para os criar!

Estás invariavelmente ligado à música, achas que as pessoas estão a começar reconhecer os génios musicais ou ainda pensas que se olha para os músicos apenas como ‘performers’?
Eu não gosto de generalizar as coisas, mas a verdade é que a música em Portugal ainda é um pouco vista como uma “Vida boémia”, que os músicos não fazem nenhum da vida, que vão actuar a sitio tal e em alguns casos o cachet deles corresponde a um mês de trabalho teu. A meu ver esse preconceito vem do facto de não ser uma profissão muito estável, então seja quem for, génio ou não, acaba por ser um pouco desprezado ou não é levado a sério.

Nos outros géneros eu não posso falar porque não estou a par, mas no Hip-Hop, noto que há uma falta de reconhecimento enorme para com os artistas, ou é pelo conteúdo das letras, pela forma como se vestem ou por acharem que o Hip-Hop simplesmente não é música. Ainda no outro dia comentei isso, quantos artistas de Hip-Hop vês nos programas televisivos? Tens inúmeros MC’s/DJ’s/Produtores/B-Boys/Writers/Beatboxers/etc… que têm mentalidade para serem convidados para um talk show, seja ele qual for, mas não são convidados! Pegando na personagem “O Chato” do Nuno Lopes, nós queremos aparecer! Não por fama, mas porque somos só o género com maior numero de ouvintes e seguidores, o género que mais usa a língua portuguesa e a arte do Sr. Camões…

Visto que ultimamente o que tem passado na TV de Hip-Hop tem sido só para actuar, sim, acho que somos meros “Performers”, infelizmente!

Como produtor, como é que abordas o estado da produção nos tempos que correm?
A produção está de boa saúde, tens novas sonoridades a aparecerem todos os dias, tens novos produtores talentosos com apenas 14/15 anos… Que quando eu tinha essa idade, mal sabia sequenciar um sample quanto mais produzir com a qualidade que eles produzem agora. É verdade que hoje têm uma arma que eu não tinha do meu lado quando comecei – os milhões de sitios na Internet onde consegues arranjar inúmeros instrumentos virtuais, programas, sons, etc… através de uma pesquisa rápida! Antigamente tinhas de cortar um bombo de um som de Funk assim como o resto dos componentes que formam a bateria no teu beat! Ir comprar CD’s/Vinis para samplares, hoje basta ouvires no YouTube algo que gostes, procuras o tema com a melhor qualidade possível e já tens um instrumental!

Portanto, acho que com estes factores positivos a favor da produção, só temos é de tentar criar o melhor para nós ou para quem ouve a tua música. Ah! E felizmente, já não é considerado crime – um produtor vender beats!

Qual é a tua opinião sobre o actual hip-hop português? Pensas que a ‘nova escola’ poderá suplantar os old timers?
Mais um jovem que está de boa saúde! No entanto falta mais organização e mais meios de divulgação a literalmente – OSTENTAR o Hip-Hop Português. Nos states, tu tens sites/blogs que só por tu apareceres num anúncio, fazem noticia/post sobre isso. Cá em Portugal tens o NGA no anúncio da Vodafone e ainda ninguem falou nisso. Há uns anos tiveste o Omega e o Maskarilha a fazerem Freestyle para a Vodafone, o Wilson e o Bdjoy no anuncio da TMN “Kita o teu telemovel”, etc…

Precisamos de mais blogs, mais plataformas para os músicos poderem vender a sua música a um preço simbólico (0,99€) sem ter de lançar um álbum e de forma a acalmar um pouco a onda da pirataria que exista também devido ao preço praticado pelas editoras/lojas nos álbuns de Hip-Hop. Acho que a um preço razoavelmente mais baixo, íamos ter um maior numero de ouvintes a apoiarem os nossos artistas.

Quanto à “comunidade oldschool” estar a perder piso para a nova escola, acho que isso nota-se mais na produção. Tens um novo leque de produtores, dantes tinhas 10 bons produtores, hoje tens muitos mais! Mas a meu ver, ninguem vai perder o “seu lugar”, porque tens artistas que só querem beats de produtores novos como tens artistas que só querem beats de produtores oldschool. Há espaço para todos e isso é o mais importante!

Quais são os projectos que tens em mente para um futuro próximo?
A semana passada estive a fechar com o Caminhante um remix de um tema de um grupo português para um álbum de remisturas. Agora estou em estúdio com o NGA a finalizar o “NGA VS MADKUTZ – 2º Round” e enquanto o NGA grava os temas estou a preparar um CD instrumental com o Sérgio Montinho do nosso duo de produção que se chama “Beat’einstein”, estou a acabar de produzir o meu álbum (que irei disponibilizar para download gratuito) chama-se: “Saudade”.Depois estou a produzir álbuns inteiros para artistas, que é algo que me tem dado um enorme gozo e claro, instrumentais em álbuns portugueses e se deus quiser fora de Portugal!

Obrigado ao Madkutz por conceder esta entrevista, contactos:
www.myspace.com/madkutzmusic
www.myspace.com/madkutztv
http://madkutznews.blogspot.com


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